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Rodrigo Oliveira  I  17 outubro 2012 - 23:49:50

Entrevista com Beto Martins, prefeito eleito em Passa Vinte

​Com 62,11% dos votos, vencedor da disputa eleitoral fala de sua história e afirma que é preciso acreditar na política

Beto, durante entrevista, em sua residência: "Passa Vinte avançou muito e precisa

continuar avançando".

Passadas as eleições, candidatos eleitos, comemorações e euforia, resta a dúvida ou, pelo menos, a curiosidade do eleitor em saber como será o governo daqueles que conquistaram o sufrágio direto e universal, no dia sete de outubro. Foi justamente buscando estas repostas que procuramos para uma conversa o atual vice-prefeito de Passa Vinte, Beto Martins, vencedor da disputa eleitoral pela prefeitura. Simpático e descontraído, ele nos recebeu em sua residência, numa tarde chuvosa de sábado, e conversou conosco a respeito de seu interesse pela política, sobre a campanha eleitoral e suas expectativas em relação ao futuro. Beto também falou de suas origens e o que achou do resultado das urnas. Confira abaixo a entrevista completa. 

Camarapassavinte.net: Conte-nos um pouco sobre você e sua história.


Beto:
Sou nascido em Passa Vinte, mas mudei-me para Volta Redonda aos 12 anos. Estudei lá, me formei em engenharia e, agora em 2011, me formei também em direito. Nunca perdi as raízes passavintenses. Apesar de ter trabalhado em Cubatão (SP), durante três anos, nunca me afastei de Passa Vinte. Nesse período era mais difícil vir aqui, mas em minha vida toda sempre estive em Passa Vinte. Depois que saí de Cubatão, trabalhei também em Volta Redonda, no comércio, e estou até hoje. Também sou casado e pai de duas filhas.

CPV.NET: Quando você começou a se interessar pela política?


Beto:
Eu ainda era menor de idade. Meu pai, Pedro Nardelli, havia falecido e ele era muito envolvido na política. Então, no início da década de 80, meus amigos e eu começamos a nos envolver em uma eleição que acabou elegendo Joaquim Vieira como prefeito. Depois disso, não só eu, mas também os amigos da minha idade, começamos a participar mais efetivamente da política em Passa Vinte. Naquela época, eu nem votava, só comecei a votar na eleição seguinte. No período em que estive trabalhando em Cubatão, estava forte o movimento de Diretas Já. Isso também me levou a um interesse maior pela política, porém sempre com um interesse na política de Passa Vinte. Depois tiveram outras eleições que eu acompanhei e no princípio da década de 90, um amigo mais próximo chegou a participar das eleições como candidato. Quando digo nós, no envolvimento com a política, me refiro a meus amigos, meus irmãos, minha família e eu.

CPV.NET: Como você decidiu que seria candidato a prefeito?
 

Beto: Desde que fui eleito vice-prefeito, em 2008, venho procurando fazer alguma coisa pela administração. Quanto à candidatura a prefeito, os amigos vinham já há algum tempo alimentando as possibilidades de eu encarar as eleições esse ano. Eu, particularmente, nunca pensei nisso. Eu dizia: "Não, vai aparecer um nome aí. Eu não vou mexer com isso não. Tenho minhas obrigações e”...

CPV.NET: Quer dizer então que se fosse para você se oferecer como candidato você não o teria feito?
 

Beto: Não teria. Eu me candidatei porque tive muita insistência dos amigos. Por outro lado, havia chegado também o momento em que eu tinha que decidir. Se eu dissesse não, já poderia ser tarde demais e isso me faria sentir como um traidor dos meus amigos. Então, pensei: "Agora já não posso mais dizer não". E todos diziam: "Será você mesmo". Nosso grupo também não via a mesma aceitação que eu vinha obtendo quando se tratava de outros nomes. Isso só aumentava a minha responsabilidade para que eu aceitasse. Senti que havia chegado o momento de aceitar, de dar também um pouco mais de mim e não decepcionar as amizades. Essa decisão foi tomada em 2012. Até então eu não tinha esse interesse. A coisa foi crescendo e eu não podia mais dizer: "Se virem e arrumem outro". E ao mesmo tempo, pensei: "Eu tenho condição de fazer alguma coisa para nossa cidade. Acho que eu tenho a capacidade de ajudar Passa Vinte". Eu via nos adversários, com todo respeito, a falta dessa condição, salvo algumas exceções. Penso que, se não fôssemos felizes nessa eleição, Passa Vinte poderia perder muito e até retroagir. Foi onde pesou minha decisão. Em nosso grupo, há pessoas com grandes capacidades, só que a aceitação do público em relação a mim era grande, maior que dos meus amigos...

CPV.NET: Então se outro candidato tivesse sido lançado, mesmo sendo muito capaz, mas com menos aceitação, ele poderia ter perdido as eleições?
 

Beto: Não, nós teríamos apenas mais dificuldades para vencer. Sempre falei que, se o grupo trabalhasse direito, nós poderíamos eleger qualquer pessoa com capacidade. Teríamos mais dificuldades, mas chegar ao dia sete de outubro com um resultado diferente, eu não via possibilidade.

CPV.NET: A campanha teve uma estratégia específica?
 

Beto: Na campanha, cada visita deve ser de acordo com cada eleitor. Se você conversa com um professor, o assunto dele é educação. Se você conversa com um produtor rural, o assunto dele é a produção rural. Geralmente é sempre voltado ao assunto de interesse daquela pessoa. Na campanha, não houve uma estratégia exata. O que eu não consegui foi ir em todas as casas e conversar com todas as pessoas, respeitando, lógico, aquela casa em que havia uma faixa ou um cartaz do adversário. No entanto, eu fui em casas de adversários onde haviam outras pessoas que eu sabia que poderiam nos apoiar. Atendendo ao convite de um amigo, por exemplo, eu cheguei a ir em uma casa que era de um adversário. Eu pedi licença e expliquei que estava ali porque havia sido convidado. Não teria ido, em respeito ao dono da casa, por ser adversário, mas fui porque havia sido convidado. Não fui lá para questionar e nem tentar convencer já que ele tinha uma ideia já formada. No começo da campanha, você vai ajeitando propagandas, corre atrás de uma coisa aqui, outra ali e o tempo vai passando. Eu não visitava as pessoas na parte da manhã justamente para não atrapalhar. De repente, chegou o final da campanha e acabou que não deu tempo de ir em todas as casas. Estratégia mesmo, não tivemos, mas fizemos visitas onde o assunto fluiu naturalmente. Não havia nada pronto.

CPV.NET: Você pensou que fosse vencer com uma boa margem de votos, com margem apertada ou chegou mesmo a pensar que nem pudesse vencer?
 

Beto: Sempre pensei que seria com uma boa folga. Na verdade, o resultado foi abaixo da minha expectativa.

CPV.NET: Você achou que foi uma disputa pacífica?
 

Beto: Muito pacífica. Você não via atrito durante a campanha, salvo algum desafio ou aposta de um ou outro por aí. Cheguei a

População comemorou a vitória do candidato após divulgação do resultado

falar com um amigo meu de uma cidade vizinha: "Passa Vinte está muito mais politizada, vocês brigam demais lá na sua cidade. É agressão verbal, agressão física... Em Passa Vinte já não temos isso há muito tempo". Nesse quesito, estamos à frente de nossos vizinhos.

CPV.NET: Você teve 1.118 votos contra 682 do segundo colocado. O que você achou desse resultado?
 

Beto: Com certeza uma diferença expressiva, mas, como disse antes, achei que seria um pouco mais. Talvez eu devesse ter adotado uma "estratégia"...

CPV.NET: A coligação do seu partido conseguiu eleger seis vereadores para as nove cadeiras do legislativo. Você acha importante que o executivo tenha a maioria na Câmara?
 

Beto: Voltando ao que eu disse antes sobre estar avançado politicamente, eu não vejo hoje uma dificuldade do executivo em se relacionar bem com o legislativo em Passa Vinte. Nós elegemos seis e a oposição três. Isso não impede que qualquer vereador da nossa coligação venha a ser contrário a qualquer coisa nossa, como também não impede a oposição de ser favorável a um posicionamento nosso. É questão de, novamente, elogiar Passa Vinte nessa questão. Agora, se houvesse uma disputa na qual um vereador intencionasse prejudicar o executivo, aí sim, seria importante ter a maioria na Câmara. A grande importância de ter seis contra três, no nosso caso, é ver que os nossos vereadores tiveram mais aceitação na comunidade.

CPV.NET: Atualmente, você ocupa o cargo de vice-prefeito. Como essa experiência pode ajudá-lo como prefeito?
 

Beto: Eu quero aproveitar aqui para falar um pouco do meu vice, o Wilsinho. Ele foi um suporte tremendo na campanha. Em muitos lugares em que nós chegávamos, as pessoas diziam: "O Wilsinho é o seu vice? Você está de parabéns". A gente pensa que o vice não tem importância, mas eu digo que ele, Wilsinho, teve uma importância bastante grande no processo eleitoral. Ele tem quase trinta anos como funcionário da prefeitura e deu a parte dele na campanha. Nesse caso, o passado dele, o trabalho que ele já fez na prefeitura, o conhecimento na comunidade como funcionário público ajudou demais. Durante o mandato, as pessoas em Passa Vinte costumam achar que vice fica sempre em casa. Acho que consegui quebrar um pouco esse paradigma. O vice tem um salário todo mês e apesar de não ter tanta autonomia, ele pode fazer muita coisa. O Tales, prefeito desse meu mandato como vice, sempre me pergunta alguma coisa e eu para ele. Terei que aprender bastante como prefeito, mas certamente já aprendi muita coisa como vice.

CPV.NET: Podemos esperar grandes mudanças para o seu governo?
 

Beto: Umas das frases que eu sempre usei durante a campanha é que Passa Vinte avançou muito, mas como nunca estamos contentes com o que temos, a gente sempre quer mais e Passa Vinte também quer. Nós andamos de casa em casa e vimos que a população também quer mais. Eles dizem: "A saúde está boa, mas podemos fazer isso, podemos fazer aquilo...". Sempre tem um algo a mais que pode ser melhorado. Não falamos em mudanças, mas sim em avanços, vamos continuar avançando. Não sei se estivemos muito parados anteriormente ao Tales, já que em alguns quesitos vemos nossos vizinhos bem mais à frente. Temos ainda bastante coisas em que avançar, embora nos deparamos com questões financeiras algumas vezes.

CPV.NET: Alguma meta específica já definida para o seu governo?
 

Beto: Genericamente apenas. Daqui a alguns dias, vamos nos reunir com os vereadores e o grupo para definirmos algo mais preciso. Durante a campanha, nas propostas, há somente assuntos mais amplos como, por exemplo, fazer melhorias na saúde, investir em turismo, etc. O que antes era expresso em uma frase, nós vamos agora começar a detalhar. A partir de agora, vamos definir um plano de ação. Até porque, acho meio petulante fazer um plano de ação durante a campanha. Mas eleito, agora sim, podemos fazer e é a hora de termos o plano de ação. Saímos de um campo mais genérico para agora estipularmos uma ação, um cronograma para 2013, 2014, principalmente para 2013. Isso é o que nosso grupo fará.

CPV.NET: Ainda podemos acreditar na política?
 

Beto: Temos a obrigação de acreditar na política. Sem ela não avançamos, ela é necessária. Em todo lugar há pessoas boas e ruins. Não é só em Passa Vinte, em Minas, no Brasil... Há quem vá usar a política para o bem e há outros que a usarão para o mal. No mundo todo é assim. Acontece que quando o político usa o seu mandato para o mal, isso é divulgado amplamente e quando ele o usa para o bem, falam que isso não é mais que uma obrigação, o que não deixa de ser uma verdade. Todavia, a política tem jeito sim. Tem que haver competição, adversários, troca de ideias, discussão dos caminhos a serem seguidos, etc... A política tem que continuar e ela é bastante necessária.

CPV.NET: Como você imagina Passa Vinte em 2016, quando seu mandato chegar ao fim?
 

Beto: Nós cansamos de dizer que temos um turismo forte e muita aptidão para ele. No entanto, ele está adormecido. Junto com o turismo, conseguimos gerar mão-de-obra. Durante a campanha, eu disse, por exemplo, que temos que gerar mão-de-obra feminina. Logo, eu penso que daqui a quatro anos, esse turismo não esteja engatinhando, mas que esteja em condições de receber bem um turista que queira visitar nossa cidade. Em cima disso, geramos emprego e renda. Passa Vinte é muito legal e bonita, mas eu já ouvi lá fora que Passa Vinte não tem nada. Queremos chamar o turista, mas queremos que ele saia falando bem. Temos tantas coisas no município, mas ainda não temos um atrativo que dê uma identidade a Passa Vinte. Se continuarmos avançando na educação, melhorando na área da saúde, oferecendo um crescimento significativo no turismo e conseqüentemente gerando renda e emprego - a chegada do asfalto certamente ajudará - e aumentando a receita do município, daqui a quatro anos poderemos ter um outro visual da cidade.

CPV.NET: Gostaria de deixar uma mensagem aos passavintenses?
 

Beto: Que nesses quatro anos, os passavintenses possam ter mais orgulho de serem de Passa Vinte. Que quando estivermos em um outro local, possamos bater no peito e dizer que somos de Passa Vinte. Isso nós buscaremos. Cada vez mais, termos orgulho de sermos passavintenses.

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